terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Fronteiriço, de carteirinha!

Fronteiriço
Fronteiriço é o estrangeiro natural e residente em país limítrofe ao território nacional que pode estudar ou exercer atividade remunerada em município brasileiro fronteiriço ao seu país de origem, desde que autorizado pela Polícia Federal.
Ta na lei
O Decreto de número 5.105, de 14 de junho de 2004, firmado entre Brasil e Uruguai, permite a residência, estudo e trabalho de Nacionais Fronteiriços de cada Estado no outro. O Acordo foi concluído em Montevidéu em 21 de agosto de 2002. A relevância deste Acordo se expressa no Artigo 3º, §§ 1º e 2º, que dispõe o seguinte: é competência da Polícia Federal do Brasil e da Direção Nacional de Migrações do Uruguai conceder documento especial de fronteiriço. Neste documento constará a qualidade de fronteiriço e a localidade onde estará autorizado a exercer os direitos previstos no Acordo e outros requisitos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Fronteiriços

Toda fronteira na verdade são duas: uma é a política e a outra é aquela que seus moradores fazem.
A política é traçada nos mapas, seguindo por linhas imaginarias ou por acidentes geográficos que separam paises, estados ou departamentos. É o resultado de lutas, guerras, negociações ou tratados. E na maioria das vezes encerram etnias, costumes, hábitos e linguagens próprias.
A fronteira dos homens não está no mapa e nem é negociada, não se preocupa com limites, idiomas ou etnias. É a vida e as necessidades dos fronteiriços que a definem. E para o fronteiriço não há linhas imaginarias. Há a sua busca de ir e vir para onde mais lhe convier ou precisar ir. Sua casa será onde houver a melhor sombra. A busca de seu alimento será onde for mais fácil, ou melhor, ou mais barato. E sua fronteira se ampliará até onde lhe interessar.
O caso das cidades geminadas de Santana do Livramento e Rivera é particularmente uma prova viva disto. Pessoas e idiomas, casas e comércios, carros e ruas, tudo se mistura e desta mistura resultam características que não são nem dum lado nem do outro. São apenas fronteiriças.
Estas duas cidades foram em suas origens acampamentos militares, criados por interesses políticos que buscavam traçar limites que separassem o Brasil do Uruguai. Porem mais tarde, por vontade dos homens que ali habitaram e que nestas querências se enraizaram, vieram os povoados e depois as estruturas urbanas. E estas se uniram em suas vontades de crescer em harmonia e em suas demandas de vida conjunta. Há quem diga que Jose Hernandez, ao morar exilado por estas terras, aqui se inspirou nos versos de seu Martin Fierro ao dizer: "Sean unidos los hermanos...".
Nasceu ali uma fronteira atípica, com hábitos, cultura e um dialeto apenas seus.
Senão vejamos, que idioma é este que a doméstica fala ao telefone com o seu patrão?
- Patrão, dona Vera mandou dizê que o senhor vaja temprano na carnicería, escolha uma boa polpa de nalga e depois passe na verdureria pa comprá munhata e morrones que ela vai fazê puchero.
Com certeza não é português e também não é espanhol. É portunhol, o dialeto desta fronteira. E o marido da dona Vera sabe muito bem que terá que passar cedo no açougue, comprar um pedaço de carne de traseiro e depois terá ainda que ir à quitanda comprar batata doce e pimentão, isso tudo para fazer um cozido.
Qualquer fronteiriço da gema sabe disso.
Apesar da convivência única e harmônica, moradores de uma e outra cidade não esquecem da fidelidade que, em última instância, devem ao seu país natal. Em jogos de futebol entre os países então não tem conversa: la celeste es la celeste e a canarinho é a canarinho!
Em 1970, logo após a vitória do Brasil contra o Uruguai no mundial daquele ano, um grupo de torcedores mais animado, pela festa e pela bebida, resolveu tomar Rivera por assalto para vingar 1950. Aquelas mágoas ainda batiam no peito da torcida canarinho. Para evitar estragos a policia uruguaia colocou um regimento de cavalaria na linha divisória e ordenou que as luzes da cidade fossem apagadas. A policia brasileira também se fez presente e isto acabou por serenar os ânimos.
- Deixa assim. Afinal, a taça será nossa, pessoal!
- No, tranquilo. La victoria de la celeste en el 50 no se la olvidan.
Afinal, os do lado de lá são os "castianos" e do lado de cá são “los macacos”. Mas no fundo são todos fronteiriços.
Um morador de Santana, que tem um sem número de amigos do lado do Uruguai, dizia certa vez:
- Todas as ruas deles que desembocam na linha divisória têm nome de batalhas que o Brasil perdeu pra eles! São a Sarandi, a Ituzaingó e a Agraciada. – e sugere, gozando - Por que eles não botam na avenida da divisória o nome de Tacuarembó, batalha em que o nosso exército derrotou o Artigas?
Pois esta é a fronteira de Rivera e Livramento, suas historias e seus causos.
- Aqui está nascendo uma nova nacionalidade, a de fronteiriço – se diz com freqüência nesta fronteira.
Um historiador bem informado diria que a fronteira foi criada para separar o Brasil do Uruguai. Já um poeta inspirado, declamaria que Santana arrancou-se dos braços do Alegrete e fugiu pra Rivera. E Rivera largou de Tacuarembó para viver junto a Santana.
Se não fossem irmãs estas cidades, sua historia seria um romance.
Esta é a Fronteira da Paz ou La más Hermana de las Fronteras.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A historia do Parque Internacional

O meu amigo Luiz Hamiltom, que sabe do meu interesse pelas historias e estórias de nossa fronteira, me enviou um texto do historiador Ivo Caggiani, que recebeu do amigo Flavio Pinto e do qual eu extrai este resumo:

“Para demarcar a linha de fronteira entre Brasil e Uruguai, em pontos onde não houvesse um arroio ou riacho como referencia do limite, a Comissão Binacional Demarcadora optou pelo uso dos conhecidos marcos divisórios. Ficou decidido, também, que desde qualquer um deles se poderia divisar, a olho desarmado, o anterior e o posterior. Porém ao atingir "Cerro do Caqueiro", a Comissão Demarcadora, verificou que a sinalização invadiria casas, cortaria terrenos e causaria outros problemas de natureza grave para as duas comunidades fronteiriças, uma vez que construções brasileiras e uruguaias haviam-se aproximado demasiadamente. Dessa maneira um trecho de aproximadamente quatro quilômetros ficou pendente, para uma próxima definição. Finalmente em 1923, se decidiu pela construção de um PARQUE INTERNACIONAL na área existente entre Sant´Ana e Rivera, considerada "terra de ninguém". O Parque Internacional, que pertence aos dois países, constitui-se em um caso único no mundo. A inauguração dessa praça, que nasceu para dividir terra e para irmanar santanenses e riverenses, ocorreu em 26 de fevereiro de 1943. A Fonte Luminosa foi inaugurada no dia 25 de agosto de 1953, e a estátua de bronze representando a MÃE, do escultor uruguaio José Belloni, foi inaugurada no dia 24 de abril de 1960”.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Diario de um Fronteiriço

O meu amigo Licalmeida, menestrel da fronteira, é um dos webmasters do site Filhos de Santana e montou esta bela amostra do que é nossa terra, com suas ruas, seus prédios, festas e tipos pitorescos e algumas lembranças que são magicas para os jovens de outrora. A musica de fundo, Diário de um Fronteiriço, é interpretada pelo meu amigo Leoncio Severo e faz parte do seu CD Pátria de Campo, que recomendo. Musica e imagens que mostram o amor que sentimos por nossa terra sem importar de que lado da fronteira. Aproveitem e acompanhem a letra de Érlon Pericles.

DIÁRIO DO FRONTEIRIÇO
Érlon Péricles

Permisso... paysano!
Que eu venho judiado.
O sol na moleira,
a vida campeira
batendo os “costado”.
Permisso... paysano!
Pra um mate cevado.
Que eu ando na estrada
co’a vida encilhada,
tocando o cavalo.

Sou da fronteira...
me pilcho a capricho.
Potrada é de lei,
da lida que eu sei,a
perto o serviço...
Meio gente, meio bicho...
Ninguém me maneia...
“loco das idéia”,
sou duro de queixo.

Um trago de canha,
os amigos de fé,
o pinho afinado...
tocando milongas
e algum chamamé.
Com a alma gaúcha
e um sonho dos “bueno”
eu guardo a querência......
a vida anda braba,
e só mete a cara
quem tem a vivência.

Ah! Livramento me espera...
num finzito de tarde,
um olhar de saudade
a mirar da janela...
Lá ... onde o xucro se amansa!
Na ânsia do abraço
eu apresso o passo
pra matear com ela.



La Parrillada







Essa maravilha da culinária uruguaia, quem resiste? Ali tem de tudo, achuras de buey dizem no Uruguay, miúdos de gado, dizem no Brasil. Mas pra comer devagarinho, ao estilo castelhano, numa tábua, com chimichurri e uma Pilsen bem gelada. Pra aguçar a fome clic na imagem para ampliar.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Era uma vez uma fronteira


.. entre o Uruguay e o Brasil, e que tinha uma linha divisoria mas que não tinha vontade de dividir. Então criou um parque, O Parque Internacional, entre dois paises e com um povo com uma unica nacionalidade: a de fronteiriço!