quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

JIP - Jogos Internacionais da Primavera Uma Festa Fronteiriça

Os Jogos Internacionais da Primavera, representaram o ponto culminante no relacionamento esportivo entre atletas de ambos lados da fronteira.
Inicialmente realizados em 1963, com estudantes, de ambos os sexos, de Rivera e Livramento, disputando várias modalidades de esportes.
As duas cidades inflamaram-se com a disposição e entusiasmo dos estudantes santanenses e riverenses, afinal, estava em jogo também o prestigio das duas cidades. As casas comerciais participaram efetivamente, patrocinando prêmios e ofertando tudo que se fizesse necessário para o engrandecimento do evento. Os pais deram sua participação quando subiram nas arquibancadas para torcer pela vitória dos filhos. Os destacamentos militares das duas cidades organizaram equipes de juizes para as modalidades de atletismo. Emprestaram suas bandas para o toque de clarim aos laureados, desfiles e hinos. As cidades viram pela primeira vez, equipes femininas de basquete e vôlei, disputando troféus. Ao finalizar esta festa de cidadania, houve uma festa de confraternização para os conquistadores, um baile nos salões do Clube Comercial de Livramento, animado pelo conjunto Norberto Baldauf. Os J.I.P, Jogos Internacionais da Primavera organizados pela União Santanense de Estudantes Secundários tiveram na época a mesma conotação de uma olimpíada e tornaram-se concretos pelas idéias do presidente eleito para a gestão da entidade estudantil no biênio 1963-1964, o Danilo Ucha, cujo intuito estava voltado para o congraçamento esportivo entre jovens escolares de ambos os sexos das duas cidades. O Aldo Rosa Carvalho recebeu o desafio de organizar os Jogos. Na abertura dos jogos o atleta João Arla, conduziu o Tocha Olímpica até a pira e a solenidade transcorreu como havia sido planejada. O sucesso se consolidava. A população se fez presente. Uma enorme equipe de juizes e auxiliares para as provas de atletas impacientes em suas respectivas raias. Ocorrida a abertura, deu-se o início das disputas de pista: 100, 200, 400 m, sejam, velocidade e revezamento, bem como, salto em altura e arremesso de peso. Mais do que nada a competição envolvia a confraternização de atletas duas cidades, de dois países e a participação de lojistas de ambos lados da fronteira que emprestavam o que fosse preciso para o andamento das atividades esportivas: um megafone da Casa América, a relojoaria Gallo, com seus cronômetros para aferição do tempo nas corridas.
Foi eleita como Rainha dos Jogos da Primavera, a Vera Lisboa hoje esposa do João Arla.
Faltava um gran finale. Este foi o baile de encerramento animado pelo conjunto Norberto Baldauf nos salões do Clube Comercial.
(Extraido de um texto do Aldo Rosa Carvalho)

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Lei de 1957 determinou seu nome: Santana do Livramento


O Município de Santana do Livramento foi, inicialmente, ocupado pelos índios minuanos e charruas. Por volta do ano de 1810, houve um combate entre forças portuguesas e espanholas, saindo vitoriosas as primeiras. Posteriormente, os oficiais que guarneciam as fronteiras foram aos poucos levantando moradias, constituindo, assim, os primeiros núcleos de colonização no território. Em 1834, a Sra. Ana Ilha de Vargas, fazendeira abastada, doou à igreja uma imagem de Nossa Senhora de Santa Ana, na condição de ser esse o nome dado ao curato. O município passou, então, a denominar-se Santana do Livramento. O distrito foi criado, já com a denominação de Santana do Livramento, pela lei provincial nº 156, de 07-08-1848, ainda no município de Alegrete. Elevado à categoria de vila pela lei provincial nº 351, de 10-02-1857, desmembrando-se do Alegrete. Foi elevada a condição de cidade, pela lei provincial nº 1013, de 06-04-1876. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 4 distritos: Santana do Livramento, São Diogo, Upamaroti e Quaraí. Pelo ato municipal nº 18, de 01-08-1912, são criados os distritos do Ibicuí, Pedregal, Conceição e Passo do Espinilho e anexados ao município de Santana do Livramento. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município passa a ser constituído de 7 distritos: Santana do Livramento, Upamaroti, Ibicuí, Conceição, São Diogo, Passo do Espinilho e Pedregal. Não mais figura o distrito do Quaraí. Em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937, o município já denominado como Livramento figura com 7 distritos: Livramento, Conceição, Ibicuí, Passo do Espinilho, São Diogo, Upamaroti e Vista Alegre, não figurando mais o distrito de Pedregal. Pelo decreto estadual nº 7199, de 31-03-1938, o município de Santana do Livramento passou a se denominar Livramento. No quadro para vigorar no período de 1939-1943, o município é composto dos distritos de Livramento, Upamaroti, Ibicuí e Porteirinha. No quadro para vigorar no período de 1944-1948, o município é composto de Livramento, sendo formado por 3 subdistritos: Upamoroti, Ibicuí e Pampeiro (ex- Porteirinha). Pelo decreto-lei estadual nº 720, de 29-12-1944, os distritos de Upamaroti e Ibicuí foram extintos. Sob o mesmo decreto o distrito de São Diogo foi extinto sendo seu território anexado ao distrito de Pampeiro. Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o município é constituído de 2 distritos: Livramento e Pampeiro. Pela lei estadual nº 3308, de 13-12-1957, o município de Livramento passou a denominar-se novamente Santana do Livramento, assim permanecendo até hoje. Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município já denominado Santana do Livramento é constituído de 2 distritos: Santana do Livramento e Pampeiro. Em divisão territorial datada de 1-VI-1995, o município é constituído de 7 distritos: Santana do Livramento, Cati, Espinilho, Ibicuí, Pampeiro, São Diogo e Upamaroti, assim permanecendo na divisão territorial datada de 14-V-2001.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

"Como los tientos de un lazo se entrevera nuestra historia"

Os versos acima, de Jorge Luis Borges, apelam para as características comuns de nossas historias, uruguaia e brasileira, onde heróis e razões se cruzam.
Aparício Saraiva, que lutou no Rio Grande na Revolução de 1893, ao lado de seu irmão Gumercindo, foi um herói de duas pátrias. E os protagonistas e episódios que envolvem sua morte, cruzam fronteiras.
A princípios de 1904, o governo do colorado Batlle y Ordoñez resolveu enviar tropas militares a Rivera por temer uma invasão brasileira, conseqüência da prisão pela policia de Rivera, e posterior fuga ao Brasil, do irmão do prefeito de Livramento. Aparício Saraiva proclamou então que o envio destas tropas violava o pacto dos blancos com o governo colorado e iniciou a guerra civil. A partir de meados de Janeiro de 1904, e durante nove meses, sucederam-se vários combates entre forças governistas e saraivistas. A batalha decisiva aconteceu na fronteira com Livramento, no povoado de Masoller, em 10 de setembro de 1904, na confluência dos limites dos departamentos de Rivera e Artigas. Ao cair da tarde desse dia, os combates se prolongavam já durante três horas. As forças do governo, que se abrigavam por trás de muros de pedra (que eram comuns nos campos antes dos alambrados), hostilizavam os revolucionários com fogo de metralhadoras.
Nestas circunstancias, Aparício Saraiva saiu a recorrer a linha de frente, para estimular seus soldados. Sua figura resultava claramente reconhecível pelo chapéu e poncho branco que usava, e por estar acompanhado pelo porta bandeira. Assim ocorreu de ser atingido por uma bala de Mauser, que atravessou o seu ventre e rins. Ferido mortalmente foi transladado ao Brasil, à fazenda dos Pereira de Souza, distante 5 quilômetros da fronteira, onde agonizou por dez dias vindo por fim a falecer. Seus restos foram enterrados no cemitério privado da estância do Cel. Pereira de Souza, a “hiena do Caty”.
Em 1920, apenas três dias antes de comemorar-se o 16º aniversario de sua morte o diretório do Partido Nacional, os blancos, resolveu repatriar seus restos mortais.
Era a volta à pátria de um herói que lutou até a morte abrindo o caminho ao voto secreto e às liberdades públicas no Uruguai.
No ano de 2004, por ocasião do centenario de sua morte, novamente o diretório do Partido Blanco se reúne para organizar uma cavalgada até Masoller para lembrar a morte de um herói de duas pátrias: Aparício Saraiva. E novamente esta fronteira viu o desfile de patriotas que não tem os limites como divisões.