quarta-feira, 22 de junho de 2011

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

JIP - Jogos Internacionais da Primavera Uma Festa Fronteiriça

Os Jogos Internacionais da Primavera, representaram o ponto culminante no relacionamento esportivo entre atletas de ambos lados da fronteira.
Inicialmente realizados em 1963, com estudantes, de ambos os sexos, de Rivera e Livramento, disputando várias modalidades de esportes.
As duas cidades inflamaram-se com a disposição e entusiasmo dos estudantes santanenses e riverenses, afinal, estava em jogo também o prestigio das duas cidades. As casas comerciais participaram efetivamente, patrocinando prêmios e ofertando tudo que se fizesse necessário para o engrandecimento do evento. Os pais deram sua participação quando subiram nas arquibancadas para torcer pela vitória dos filhos. Os destacamentos militares das duas cidades organizaram equipes de juizes para as modalidades de atletismo. Emprestaram suas bandas para o toque de clarim aos laureados, desfiles e hinos. As cidades viram pela primeira vez, equipes femininas de basquete e vôlei, disputando troféus. Ao finalizar esta festa de cidadania, houve uma festa de confraternização para os conquistadores, um baile nos salões do Clube Comercial de Livramento, animado pelo conjunto Norberto Baldauf. Os J.I.P, Jogos Internacionais da Primavera organizados pela União Santanense de Estudantes Secundários tiveram na época a mesma conotação de uma olimpíada e tornaram-se concretos pelas idéias do presidente eleito para a gestão da entidade estudantil no biênio 1963-1964, o Danilo Ucha, cujo intuito estava voltado para o congraçamento esportivo entre jovens escolares de ambos os sexos das duas cidades. O Aldo Rosa Carvalho recebeu o desafio de organizar os Jogos. Na abertura dos jogos o atleta João Arla, conduziu o Tocha Olímpica até a pira e a solenidade transcorreu como havia sido planejada. O sucesso se consolidava. A população se fez presente. Uma enorme equipe de juizes e auxiliares para as provas de atletas impacientes em suas respectivas raias. Ocorrida a abertura, deu-se o início das disputas de pista: 100, 200, 400 m, sejam, velocidade e revezamento, bem como, salto em altura e arremesso de peso. Mais do que nada a competição envolvia a confraternização de atletas duas cidades, de dois países e a participação de lojistas de ambos lados da fronteira que emprestavam o que fosse preciso para o andamento das atividades esportivas: um megafone da Casa América, a relojoaria Gallo, com seus cronômetros para aferição do tempo nas corridas.
Foi eleita como Rainha dos Jogos da Primavera, a Vera Lisboa hoje esposa do João Arla.
Faltava um gran finale. Este foi o baile de encerramento animado pelo conjunto Norberto Baldauf nos salões do Clube Comercial.
(Extraido de um texto do Aldo Rosa Carvalho)

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Lei de 1957 determinou seu nome: Santana do Livramento


O Município de Santana do Livramento foi, inicialmente, ocupado pelos índios minuanos e charruas. Por volta do ano de 1810, houve um combate entre forças portuguesas e espanholas, saindo vitoriosas as primeiras. Posteriormente, os oficiais que guarneciam as fronteiras foram aos poucos levantando moradias, constituindo, assim, os primeiros núcleos de colonização no território. Em 1834, a Sra. Ana Ilha de Vargas, fazendeira abastada, doou à igreja uma imagem de Nossa Senhora de Santa Ana, na condição de ser esse o nome dado ao curato. O município passou, então, a denominar-se Santana do Livramento. O distrito foi criado, já com a denominação de Santana do Livramento, pela lei provincial nº 156, de 07-08-1848, ainda no município de Alegrete. Elevado à categoria de vila pela lei provincial nº 351, de 10-02-1857, desmembrando-se do Alegrete. Foi elevada a condição de cidade, pela lei provincial nº 1013, de 06-04-1876. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 4 distritos: Santana do Livramento, São Diogo, Upamaroti e Quaraí. Pelo ato municipal nº 18, de 01-08-1912, são criados os distritos do Ibicuí, Pedregal, Conceição e Passo do Espinilho e anexados ao município de Santana do Livramento. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município passa a ser constituído de 7 distritos: Santana do Livramento, Upamaroti, Ibicuí, Conceição, São Diogo, Passo do Espinilho e Pedregal. Não mais figura o distrito do Quaraí. Em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937, o município já denominado como Livramento figura com 7 distritos: Livramento, Conceição, Ibicuí, Passo do Espinilho, São Diogo, Upamaroti e Vista Alegre, não figurando mais o distrito de Pedregal. Pelo decreto estadual nº 7199, de 31-03-1938, o município de Santana do Livramento passou a se denominar Livramento. No quadro para vigorar no período de 1939-1943, o município é composto dos distritos de Livramento, Upamaroti, Ibicuí e Porteirinha. No quadro para vigorar no período de 1944-1948, o município é composto de Livramento, sendo formado por 3 subdistritos: Upamoroti, Ibicuí e Pampeiro (ex- Porteirinha). Pelo decreto-lei estadual nº 720, de 29-12-1944, os distritos de Upamaroti e Ibicuí foram extintos. Sob o mesmo decreto o distrito de São Diogo foi extinto sendo seu território anexado ao distrito de Pampeiro. Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o município é constituído de 2 distritos: Livramento e Pampeiro. Pela lei estadual nº 3308, de 13-12-1957, o município de Livramento passou a denominar-se novamente Santana do Livramento, assim permanecendo até hoje. Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município já denominado Santana do Livramento é constituído de 2 distritos: Santana do Livramento e Pampeiro. Em divisão territorial datada de 1-VI-1995, o município é constituído de 7 distritos: Santana do Livramento, Cati, Espinilho, Ibicuí, Pampeiro, São Diogo e Upamaroti, assim permanecendo na divisão territorial datada de 14-V-2001.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

"Como los tientos de un lazo se entrevera nuestra historia"

Os versos acima, de Jorge Luis Borges, apelam para as características comuns de nossas historias, uruguaia e brasileira, onde heróis e razões se cruzam.
Aparício Saraiva, que lutou no Rio Grande na Revolução de 1893, ao lado de seu irmão Gumercindo, foi um herói de duas pátrias. E os protagonistas e episódios que envolvem sua morte, cruzam fronteiras.
A princípios de 1904, o governo do colorado Batlle y Ordoñez resolveu enviar tropas militares a Rivera por temer uma invasão brasileira, conseqüência da prisão pela policia de Rivera, e posterior fuga ao Brasil, do irmão do prefeito de Livramento. Aparício Saraiva proclamou então que o envio destas tropas violava o pacto dos blancos com o governo colorado e iniciou a guerra civil. A partir de meados de Janeiro de 1904, e durante nove meses, sucederam-se vários combates entre forças governistas e saraivistas. A batalha decisiva aconteceu na fronteira com Livramento, no povoado de Masoller, em 10 de setembro de 1904, na confluência dos limites dos departamentos de Rivera e Artigas. Ao cair da tarde desse dia, os combates se prolongavam já durante três horas. As forças do governo, que se abrigavam por trás de muros de pedra (que eram comuns nos campos antes dos alambrados), hostilizavam os revolucionários com fogo de metralhadoras.
Nestas circunstancias, Aparício Saraiva saiu a recorrer a linha de frente, para estimular seus soldados. Sua figura resultava claramente reconhecível pelo chapéu e poncho branco que usava, e por estar acompanhado pelo porta bandeira. Assim ocorreu de ser atingido por uma bala de Mauser, que atravessou o seu ventre e rins. Ferido mortalmente foi transladado ao Brasil, à fazenda dos Pereira de Souza, distante 5 quilômetros da fronteira, onde agonizou por dez dias vindo por fim a falecer. Seus restos foram enterrados no cemitério privado da estância do Cel. Pereira de Souza, a “hiena do Caty”.
Em 1920, apenas três dias antes de comemorar-se o 16º aniversario de sua morte o diretório do Partido Nacional, os blancos, resolveu repatriar seus restos mortais.
Era a volta à pátria de um herói que lutou até a morte abrindo o caminho ao voto secreto e às liberdades públicas no Uruguai.
No ano de 2004, por ocasião do centenario de sua morte, novamente o diretório do Partido Blanco se reúne para organizar uma cavalgada até Masoller para lembrar a morte de um herói de duas pátrias: Aparício Saraiva. E novamente esta fronteira viu o desfile de patriotas que não tem os limites como divisões.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Fronteiriço, de carteirinha!

Fronteiriço
Fronteiriço é o estrangeiro natural e residente em país limítrofe ao território nacional que pode estudar ou exercer atividade remunerada em município brasileiro fronteiriço ao seu país de origem, desde que autorizado pela Polícia Federal.
Ta na lei
O Decreto de número 5.105, de 14 de junho de 2004, firmado entre Brasil e Uruguai, permite a residência, estudo e trabalho de Nacionais Fronteiriços de cada Estado no outro. O Acordo foi concluído em Montevidéu em 21 de agosto de 2002. A relevância deste Acordo se expressa no Artigo 3º, §§ 1º e 2º, que dispõe o seguinte: é competência da Polícia Federal do Brasil e da Direção Nacional de Migrações do Uruguai conceder documento especial de fronteiriço. Neste documento constará a qualidade de fronteiriço e a localidade onde estará autorizado a exercer os direitos previstos no Acordo e outros requisitos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Fronteiriços

Toda fronteira na verdade são duas: uma é a política e a outra é aquela que seus moradores fazem.
A política é traçada nos mapas, seguindo por linhas imaginarias ou por acidentes geográficos que separam paises, estados ou departamentos. É o resultado de lutas, guerras, negociações ou tratados. E na maioria das vezes encerram etnias, costumes, hábitos e linguagens próprias.
A fronteira dos homens não está no mapa e nem é negociada, não se preocupa com limites, idiomas ou etnias. É a vida e as necessidades dos fronteiriços que a definem. E para o fronteiriço não há linhas imaginarias. Há a sua busca de ir e vir para onde mais lhe convier ou precisar ir. Sua casa será onde houver a melhor sombra. A busca de seu alimento será onde for mais fácil, ou melhor, ou mais barato. E sua fronteira se ampliará até onde lhe interessar.
O caso das cidades geminadas de Santana do Livramento e Rivera é particularmente uma prova viva disto. Pessoas e idiomas, casas e comércios, carros e ruas, tudo se mistura e desta mistura resultam características que não são nem dum lado nem do outro. São apenas fronteiriças.
Estas duas cidades foram em suas origens acampamentos militares, criados por interesses políticos que buscavam traçar limites que separassem o Brasil do Uruguai. Porem mais tarde, por vontade dos homens que ali habitaram e que nestas querências se enraizaram, vieram os povoados e depois as estruturas urbanas. E estas se uniram em suas vontades de crescer em harmonia e em suas demandas de vida conjunta. Há quem diga que Jose Hernandez, ao morar exilado por estas terras, aqui se inspirou nos versos de seu Martin Fierro ao dizer: "Sean unidos los hermanos...".
Nasceu ali uma fronteira atípica, com hábitos, cultura e um dialeto apenas seus.
Senão vejamos, que idioma é este que a doméstica fala ao telefone com o seu patrão?
- Patrão, dona Vera mandou dizê que o senhor vaja temprano na carnicería, escolha uma boa polpa de nalga e depois passe na verdureria pa comprá munhata e morrones que ela vai fazê puchero.
Com certeza não é português e também não é espanhol. É portunhol, o dialeto desta fronteira. E o marido da dona Vera sabe muito bem que terá que passar cedo no açougue, comprar um pedaço de carne de traseiro e depois terá ainda que ir à quitanda comprar batata doce e pimentão, isso tudo para fazer um cozido.
Qualquer fronteiriço da gema sabe disso.
Apesar da convivência única e harmônica, moradores de uma e outra cidade não esquecem da fidelidade que, em última instância, devem ao seu país natal. Em jogos de futebol entre os países então não tem conversa: la celeste es la celeste e a canarinho é a canarinho!
Em 1970, logo após a vitória do Brasil contra o Uruguai no mundial daquele ano, um grupo de torcedores mais animado, pela festa e pela bebida, resolveu tomar Rivera por assalto para vingar 1950. Aquelas mágoas ainda batiam no peito da torcida canarinho. Para evitar estragos a policia uruguaia colocou um regimento de cavalaria na linha divisória e ordenou que as luzes da cidade fossem apagadas. A policia brasileira também se fez presente e isto acabou por serenar os ânimos.
- Deixa assim. Afinal, a taça será nossa, pessoal!
- No, tranquilo. La victoria de la celeste en el 50 no se la olvidan.
Afinal, os do lado de lá são os "castianos" e do lado de cá são “los macacos”. Mas no fundo são todos fronteiriços.
Um morador de Santana, que tem um sem número de amigos do lado do Uruguai, dizia certa vez:
- Todas as ruas deles que desembocam na linha divisória têm nome de batalhas que o Brasil perdeu pra eles! São a Sarandi, a Ituzaingó e a Agraciada. – e sugere, gozando - Por que eles não botam na avenida da divisória o nome de Tacuarembó, batalha em que o nosso exército derrotou o Artigas?
Pois esta é a fronteira de Rivera e Livramento, suas historias e seus causos.
- Aqui está nascendo uma nova nacionalidade, a de fronteiriço – se diz com freqüência nesta fronteira.
Um historiador bem informado diria que a fronteira foi criada para separar o Brasil do Uruguai. Já um poeta inspirado, declamaria que Santana arrancou-se dos braços do Alegrete e fugiu pra Rivera. E Rivera largou de Tacuarembó para viver junto a Santana.
Se não fossem irmãs estas cidades, sua historia seria um romance.
Esta é a Fronteira da Paz ou La más Hermana de las Fronteras.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A historia do Parque Internacional

O meu amigo Luiz Hamiltom, que sabe do meu interesse pelas historias e estórias de nossa fronteira, me enviou um texto do historiador Ivo Caggiani, que recebeu do amigo Flavio Pinto e do qual eu extrai este resumo:

“Para demarcar a linha de fronteira entre Brasil e Uruguai, em pontos onde não houvesse um arroio ou riacho como referencia do limite, a Comissão Binacional Demarcadora optou pelo uso dos conhecidos marcos divisórios. Ficou decidido, também, que desde qualquer um deles se poderia divisar, a olho desarmado, o anterior e o posterior. Porém ao atingir "Cerro do Caqueiro", a Comissão Demarcadora, verificou que a sinalização invadiria casas, cortaria terrenos e causaria outros problemas de natureza grave para as duas comunidades fronteiriças, uma vez que construções brasileiras e uruguaias haviam-se aproximado demasiadamente. Dessa maneira um trecho de aproximadamente quatro quilômetros ficou pendente, para uma próxima definição. Finalmente em 1923, se decidiu pela construção de um PARQUE INTERNACIONAL na área existente entre Sant´Ana e Rivera, considerada "terra de ninguém". O Parque Internacional, que pertence aos dois países, constitui-se em um caso único no mundo. A inauguração dessa praça, que nasceu para dividir terra e para irmanar santanenses e riverenses, ocorreu em 26 de fevereiro de 1943. A Fonte Luminosa foi inaugurada no dia 25 de agosto de 1953, e a estátua de bronze representando a MÃE, do escultor uruguaio José Belloni, foi inaugurada no dia 24 de abril de 1960”.